15 dicas para um Jornalismo compromissado com as questões de gênero

20150929 We can do it

Realizar um Jornalismo mais compromissado com as questões de gênero exige uma grande desconstrução, que passa pela desnaturalização de tudo o que o e a jornalista entendem sobre as relações de gênero. Exige estudo, debate, fazer perguntas e escutar, mais do que tudo. Mas há passos que podem ser dados visando a um comprometimento cada vez maior com a equidade de gênero nas reportagens. O Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta elaborou 15 dicas para melhor a cobertura de gênero — que, claro, precisam ser aliadas a uma busca por informação no cotidiano por parte dos e das profissionais de imprensa.

Confira!

  1. Usar lingaguem não sexista

Quando a matéria tratar de um assunto que toque em questões de gênero e na experiência feminina, entrevistar especialistas com formação em questões de gênero, se possível de diferentes áreas (sociólogos, psicólogos, médicos, operadores do Direito etc).

Manual para uso não sexista da linguagem

  1. Utilizar fontes especialistas em gênero

Quando a matéria tratar de um assunto que toque em questões de gênero e na experiência feminina, entrevistar especialistas com formação em questões de gênero, se possível de diferentes áreas (sociólogos, psicólogos, médicos, operadores do Direito etc).

  1. Utilizar fontes mulheres

Quando o assunto não necessariamente envolver questões de gênero, ainda assim entrevistar fontes e personagens mulheres. Hoje, a presença de mulheres como fontes é em torno de 20%*.

*Dados da imprensa latino-americana, segundo o Monitoreo Global de Medios

  1. Fazer recorte de gênero (e outros)

Ao fazer uma matéria, sempre analisar como as mulheres se inserem dentro daquele cenário e como as relações de gênero se dão naquele contexto, buscando dados desagregados por gênero. Também fazer recortes dentro da categoria “mulher” – relação com raça, orientação sexual, classe, origem etc.

  1. Ter um banco de dados acessível sobre gênero

Ao fazer uma matéria, sempre analisar como as mulheres se inserem dentro daquele cenário e como as relações de gênero se dão naquele contexto, buscando dados desagregados por gênero. Também fazer recortes dentro da categoria “mulher” — relação com raça, orientação sexual, classe, origem etc.

  1. Referir-se às fontes de ambos os gêneros de forma igualitária.

Ao referir-se a uma fonte mulher pela segunda vez, o jornalista deve utilizar seu sobrenome caso tenha adotado tal padrão para as fontes homens. Também não deve apresentar a mulher subordinada ao homem, como no caso “mulher do presidente”, e sim “esposa do presidente”. Sempre que existentes, utiliza títulos profissionais e de função no feminino.

  1. Mencionar serviços e marcos legislativos direcionados às mulheres

Além de oferecer análises e fontes sobre determinada problemática, é preciso que a matéria traga números de telefone e endereços de serviços que lhe permitam fazer denúncias e buscar ajuda, assim como direitos das mulheres presentes nas legislações, nacionais e internacionais.

  1. Ilustrar com imagens que humanizem e empoderem as mulheres

As fotografias e ilustrações devem humanizar e contribuir para problematizar e contextualizar o tema, sem objetificar, desmembrar ou sexualizar o corpo feminino. Também devem mostrar a diversidade de mulheres que existem no mundo, com seus diferentes corpos, em diferentes profissões, sem estereótipos. O mesmo vale para a TV: cuidado com o uso de sons, melodias, letras de música, jogo de luz, que podem combater ou reforçar estereótipos.

  1. Buscar ajuda na hora de encontrar sobreviventes de volência de gênero

Ao se aproximar e ao entrevistar uma vítima de violência, todo cuidado é pouco. Ter empatia é fundamental – não se deve insistir, não se deve achar que se entende o que ela vive e, se possível, é melhor buscar a ajuda de terceiros, como parentes ou ONGS, na hora da aproximação. Sempre pergunte se a vítima que aceitou falar quer ser identificada e respeite sua escolha.

  1. Não usar termos que culpabiilizem a vítima e que romantizem/patologizem a agressão

Nada de usar informações desnecessárias que levem o leitor e a leitora a culpabilizar a vítima e expor detalhes de sua vida pessoal, estilo de vida e vestimenta etc. que não sejam importantes para a matéria. Não relacionar violência de gênero com paixão ou doença.

  1. Usar infográficos que façam recorte de gênero

Infográficos ajudam o leitor a ter o panorama do problema e saber onde os investimentos e serviços são escassos. Não se esquecer do recorte de raça, orientação sexual, classe, origem etc. As mulheres não são todas iguais e há opressões específicas sofridas por elas.

  1. Oferecer material complementar sobre feminismo e gênero

O feminismo e os estudos de gênero ainda são muito mal compreendidos, há muita desinformação e às vezes a matéria não dá conta de contextualizar a contento. Neste caso, indique relatórios, sites, livros, filmes, documentários, músicas etc. que ajudem na compreensão do tema.

  1. Escrever matérias propositivas e analíticas

Não basta denunciar, é preciso problematizar e propor soluções. Numa matéria que denuncia a falta de serviços, por exemplo, é preciso dizer a importância desse serviço, onde encontrar os existentes, como melhorá-lo, qual seria o número ideal e como aumentar esse número.

  1. Ter um manual de gênero sempre à mão

Há manuais que ajudam o jornalista a tratar melhor das questões de gênero. Tenha um sempre por perto e busque discuti-lo com colegas.

  1. Não naturalizar posições, condições e funções e sempre problematizar

Não basta trazer dados, denunciar e analisar superficialmente. É preciso problematizar, contextualizar, questionar e historicizar as práticas e participações na esfera pública e privada de homens e mulheres; a divisão sexual do trabalho; a presença ou ausência em certas profissões, o uso do espaço e do tempo e acesso a bens e recursos pelos gêneros; como ambos são educados desde a infância etc. Não naturalize a posição e os papeis exercidos por ambos.

20150929 crime passional

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